quinta-feira, 15 de março de 2012

DECEPÇÃO EM CUITÉ COM RESULTADO DO JULGAMENTO


A cidade de Cuité viveu um dia de muita comoção, nesse dia 13 de março de 2012.

Cuité é uma cidade pacata onde as famílias frequentam as igrejas,  onde o índice de violência é pequeno mas no ano de 2010 no mês de maio ao sair do noitario na Igreja da Matriz de Nossa Senhora das Mercês, uma jovem de 23 anos de idade foi assassinada brutalmente pelo ex-namorado que não se conformava em perdê-la.
 
A intenção de matar estava claro para todos, mas no julgamento os jurados marcaram o sim orientado pelo promotor e seu assistente que estavam na acusação.
A acusação pedia a pena máxima de 30 anos, a defesa tentou confundir os jurados mas o júri tinha claro o que fazer na sua votação.
No entanto quem define a pena não é o corpo de jurado, é a cabeça do juiz que dar a sentença e grande foi a decepção de todos ao ver o Dr. Juiz Isaac decreta uma sentença de apenas 19 anos.
A população insatisfeita com o resultado do julgamento ficou esperando a saída do criminoso e este saiu  do fórum sob vaias e gritos de revolta da população.

 
As mulheres e os familiares se organizaram junto com a população, fizeram camisetas com a foto da Luciana com um sorriso angelical que lhe era peculiar, pediram justiça de Deus e dos homens.,mas o resultado final nos mostrar que a justiça dos homens ainda é muito falha, enquanto um único homem tiver o poder de decretar a sentença muita injustiça será feita.






terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O que ainda não se pode comprar

O que ainda não se pode comprar

Eu não saí de casa nestes dias de carnaval. O tempo passou, e a festa foi perdendo a graça pra mim. Acho que envelheci, graças a Deus!
Mas não fiquei alheia ao que aconteceu apesar de não querer saber o que aconteceu. E vi algumas coisas tristes cada vez que tentava ler um e-mail ou simplesmente me distrair na Net.
Eu vi o carnaval de alguns anos atrás se repetir em fotos de pessoas nuas. Sim, elas já não se vestem mais, e isto já faz um tempo. Vi o desespero de gente querendo perder a conta dos beijos que deu, mesmo que nesta contagem estivesse valendo beijar o desconhecido, o “qualquer um”. E vi gente que contou poder ir mais além, passar dos beijos – se é que me faço entender – com a mesma condição de isto valer com os desconhecidos.
Eu vi fotos de gente muito rica, muito famosa. E, ainda que esta gente encenasse um maravilhoso sorriso no rosto, tudo o que consegui ver foi tristeza.
As pessoas juntaram tanto dinheiro, e fizeram tanta coisa para tê-lo! E nessa guerra declarada para ficarem ricos esqueceram-se de um detalhezinho importante: o dinheiro não compra o minuto. Daí, o tempo passou, e hoje elas tentam esconder aquilo que de mais glorioso Deus nos deu: as marcas da vida.
No cenário carnavalesco, a exposição do corpo. Hoje é isto o que vale para os famosos em questão: e chega a ser ridículo homens e mulheres abastecendo-se de botox, silicone e purpurina em lugares estratégicos para aproximarem-se, aos quarenta anos, do que é um corpo de dezoito.
Elas sambam nervosamente, num balé desengonçado, sem o menor talento, fabricado nas academias. Um pé pra frente, outro pra trás. O cansaço, disfarçam com o sacudir dos braços. Não chegam nem perto das mulatas dos morros que andam por aí sambando a vida que têm que levar.
Eles fazem o mesmo: repetem a coreografia patética. Para disfarçar o dom que a natureza não lhes deu, usam ternos e calças largos. Ou sacodem um chapéu... Me dá pena ver!
As marcas da vida com que Deus planejou revelar a experiência e a sabedoria do homem têm que ser, obrigatoriamente, removidas. E as pessoas ricas e famosas se submetem aos cortes, aos riscos das cirurgias, na ilusão de que um rosto sem rugas é o tempo de volta.
Gastam o dinheiro que têm tentando comprar minutos.
Não se compram minutos.
A própria mídia que eleva, destrói. Aos quarenta anos, se está velho demais. As novelas “Malhação” e etc. esfregam a juventude na cara de quem já passou dos trinta anos e aguarda atendimento no consultório do cirurgião/milagreiro famoso. É preciso aparentar vinte, ainda que, para isto, todos e todas entrem na mesma fôrma e saiam de suas faixas pós cirúrgicas com a mesma expressão facial. Já se percebeu que todos na TV, depois de certo tempo, têm a mesma cara?
Nas escolas de samba, a ala das baianas é separada da ala mirim. É como se o tempo fosse respeitosamente dividido ali. E há até grande consideração pelas senhoras! Se viver fosse desfilar numa escola de samba, algumas pessoas teriam dificuldade em mudar de ala. Talvez os ricos e famosos arriscassem uma operação para parecerem crianças eternamente (?)... E a ala das baianas tivesse que ser exterminada...
Eu não sei o que será novidade para Antônio no corpo de uma mulher quando chegar a sua hora de interessar-se por isto. Talvez a curiosidade seja a de vê-la vestida. Não sei se quando chegar a vez dele, a medicina terá descoberto novas fórmulas e pílulas que estendam a juventude por mais tempo. Mas por enquanto vou ensaiando instigar nele a percepção do ser humano como Deus criou: em sua inteligência, bondade, caráter. E tento – ratifico, tento! – ensiná-lo a dar valor exatamente ao que ainda não se pode comprar. Porque acho que quando Deus permite ao homem envelhecer está abençoando-lhe. Quando lhe concede as rugas e lhe curva o corpo está presenteando-lhe com a certeza de que está vivo, porque quem não envelheceu morreu jovem, sem conhecer o melhor da vida.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Correr como criança

Eu levo Antônio à praia sempre que posso. E a melhor parte de quando estamos lá é a hora em que ele me pede pra deixá-lo correr. Eu delimito os espaços: “Você pode ir daqui até lá...” Ele me sorri animado, e sempre percebe que aumentei um pouquinho a distância.
Ver Antônio inspirando, preparando os pulmões para iniciar a corrida, é a coisa mais linda que existe! Graças a Deus esse momento existe (talvez seja essa a hora em que Deus aperta a tal da tecla pause do tempo...).
É louca!”, devem pensar as pessoas que me vêem: eu o sigo com um olhar atento, mas invejoso!... Ele corre pela areia, quase some do alcance dos meus olhos. Eu vou vendo aquele corpinho frágil transformar-se – na minha poesia de mãe – num avião a jato, numa motocicleta possante, numa lancha voadeira... Se me permito um pouco mais de ilusão, ele é o “The Flash” com todos os seus poderes de chegar antes mesmo de partir.
Braços e pernas perfeitamente coordenados – a natureza faz por si, dispensa personal trainers. Ele sabe o que faz. Inicia sua trajetória sério, compenetrado, preocupado em chegar lá, no local marcado. Atravessa a correnteza das ondas que tocam a praia, salta os obstáculos que lhe aparecem a frente e, com determinação, chega.
Da chegada, eu sei pelo aceno. Deus me acena pelas mãos de Antônio, quase invisíveis pela distância: eis meu corredor lá, invencível. É hora da volta.
A volta é algo que emociona e aperta qualquer coração de mãe: a corrida agora é menos veloz – o objetivo já fora atingido – e é em minha direção. A cara séria dá lugar ao sorriso que se modifica enquanto as bochechas trêmulas obedecem ao ritmo dos passos. Às vezes acontecem alguns tropeços, mas ele se levanta, sorri e continua.
Ofegante, se aproxima, de braços abertos. E eu tenho que estar lá para receber o abraço mais valioso do mundo! O que nunca termina. O que dura a eternidade de alguns segundos. O que fala por si.
Mas não há cansaço. Ele quer ir de novo. E me pede pra marcar um ponto de chegada ainda mais distante. Eu sou a contadora, dou a partida: um, dois, três e já!!!
Lá vai ele, o meu Antônio, o Antônio da vida que o assiste e o espera ansiosa... Lá vai meu menino, que há tão poucos dias aprendeu a andar sozinho, sem minhas mãos. Lá vai o meu amor...
Dia desses, por convite do rapaz que aluga lanchas por aqui, ele deu uma volta em uma delas. Eu permiti. Colete no corpinho, sumiu diante de mim e das águas acolhedoras. Foi-se, para mais uma aventura em alto-mar. Quando voltou, não havia dado uma voltinha: tinha descoberto o universo que existe pra lá do alcance dos pés! Sentou-se na areia e contou-me tudo, otudo que havia vivido naqueles – tão breves! – instantes na lancha.
Quisera correr como criança! Lançar-me à aventura de ir até chegar. Ter a alegria de saber que alguém espera o meu retorno com o mesmo abraço valioso!
Nada sou sem Antônio. Ele veio pro meu mundo para eu me lembrar de que existo, para além do trabalho, da rotina do dia-a-dia, porque eu acho que já havia me esquecido disto. Hoje ele já não me deixa esquecer: solicita-me por todo tempo. É meu companheiro, enxuga minhas lágrimas quando choro. Diz-me que “vai passar”...
Antônio sabe o quanto eu preciso vê-lo correr quando vamos à praia, e eu não sei por que é assim, mas ele sabe. Não passa um dia em que não realize este meu desejo. O de ir... e voltar.
Graças a Deus Antônio volta. Graças a Deus é criança. Graças a Deus tem saúde para dar a mim esta alegria. Graças a Deus estou aqui para assistir à cena que, sem sombra de dúvida, guardarei na retina e no meu coração pro resto de minha vida.
O que dizer de um cenário composto por um dia de céu azul, sol, mar, vento no rosto, e uma criança feliz correndo na praia? Na minha pequenez, digo que não mereço este presente. Mas Deus, onipotente e misericordioso, discorda de mim: e recebo o milagre, apesar de todos os meus pecados.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

K entre nós

Volta às aulas

Certa vez trabalhei à noite numa escola daqui de Iguaba. Lá matriculou-se José, um aluno que sempre chamou-me a atenção pelo bom comportamento: educado, calado, preocupado em estudar. Assíduo, inclusive, coisa que pouco se vê na rotina do terceiro turno. Fez os quatro últimos semestres do Ensino Fundamental e foi-se.
Tempos depois fomos – eu e o pessoal da secretaria da escola – visitados por policiais militares. Estavam à procura do “Índio”. Observados os registros das matrículas naqueles determinados anos e comparando as fotos que traziam consigo com as que compunham os documentos dos alunos, concluíram ser José o homem procurado. Informamos aos policiais que ele já havia concluído os estudos. Lamentando, eles se foram, certos de que não mais o encontrariam. José estava sendo procurado por ter estuprado uma menina de três anos num outro estado...
Uma vez visitei a Delegacia local daqui para prestar depoimento sobre um assalto à mão armada que sofri dentro de casa. O delegado, então, mostrou-me um álbum de fotos de pessoas já detidas por pequenos furtos ou roubos em residências, com o objetivo de que eu reconhecesse aquele que havia “visitado” meu lar. Quando comecei a folhear encontrei no álbum muitas fotos de ex-alunos das escolas em que trabalhei. A maioria, os mais tranquilos...
Em outra situação um aluno de excelente comportamento repentinamente apareceu vestindo saias comunicando-nos que agora queria ser chamado de “Roberta”. Em outra, um tanto similar, a menina de boas notas compareceu com sua mãe solicitando ser tratada como “João” daquele dia em diante...
Conheci também uma menina de baixíssima estatura, aluna do 6º ano de escolaridade, que não almoçava na escola. E só descobrimos o motivo num conselho de classe de fim de ano: ela não alcançava o balcão do refeitório e envergonhava-se de solicitar a alguém que lhe fizesse este favor. Difícil crescer uma criança que não se alimenta! Uma outra não ia ao banheiro da escola porque suas pernas deficientes não alcançavam o sanitário. A escola não providenciou o acesso digno àquelas meninas. Uma não almoçava. Outra, esperava a hora de ir para casa para usar o banheiro...
O pai de família que golpeou a esposa e os três filhos com uma foice havia estudado numa de nossas escolas, também. E deve ter sido “bom aluno”, como foram “diagnosticados” o menininho que atirou na Professora em São Caetano e o rapazinho lá de Realengo... Os dois se suicidaram, não foi? Não me lembro bem...
Quando as aulas começarem estarão todos lá: o estuprador, o bom menino, o assaltante, o inteligente, o bêbado, o baixinho, o gênio, o tímido, o extrovertido, o alegre, o sofredor... Estarão lá, misturados numa fila indiana, com seus olhares cheios de expectativa acerca do que será do ano letivo que se inicia. Estarão lá, como estivemos um dia nós, Professores, Diretores, Orientadores Educacionais, Supervisores e Inspetores Escolares, crianças que fomos, ou como adultos que voltam ao ambiente escolar para dar conta de um atraso acontecido por algum motivo mais forte.
Importa que estejam lá, pela primeira vez ou retornando. Eis o meu grito por socorro!
Alunos nossos não podem nos surpreender com decisões tomadas a respeito de comportamentos (muito menos devem ser avaliados pela forma como se comportam). Temos que estar intencionalmente alerta. De nada adianta preocuparmo-nos com o currículo se continuamos sendo pegos subitamente com manchetes de jornais que dão notícias de homens e mulheres – agora também de crianças! – que já passaram por nossas mãos!
O menino que resolveu ser menina, e a menina que resolveu ser menino não tomaram a decisão sem sofrer (como é sofrida na adolescência, também, a decisão do menino de ser menino e da menina de ser menina). Tampouco, de uma hora para a outra. Passaram por situações conflitantes. Seus corpos provavelmente falaram durante um bom tempo, inclusive na escola... Quem foi que percebeu? Quem está hoje na escola, como professor ou técnico, atento aos amores, às paixões, às circunstâncias de maravilha e temor que compõem a adolescência?
A história de toda essa gente já foi contada. Umas até estampadas em jornais. Mas quando o sinal da escola tocar anunciando a hora da forma estarão lá, no primeiro dia de aula, todos os atores dos próximos capítulos que construirão a história nova. E não podemos nos esquecer de que somos coadjuvantes dessa história também.
Meus ex-bons alunos eu reencontrei. Estão todos bem, graças a Deus. Os ex-maus alunos perderam-se de mim. Sinto saudade de Luís, um menino que em 1993 quando ameaçado pela mãe por alguma travessura feita dormia numa pocilga, o que o fazia faltar à aula do dia seguinte. O odor fortíssimo do lugar impregnava suas roupas e era fácil descobrirmos onde tinha passado a noite. Uma vez presenciei a Coordenadora repreendendo Luís. E chorei junto com ele. Nunca mais esquecerei o olhar fixo dele no meu: cumplicidade.
Estamos todos - nesse contexto virtual em que vivemos – carentes de cumplicidade. Eu não quero mais ver a escola (ou a inoperância dela) nas entrelinhas das manchetes de jornais. Quero reaver o orgulho, o sentimento de dever cumprido latentes nos corações daqueles que se dizem profissionais do magistério. Na última vez em que fui Diretora de escola, trabalhei com o vestido molhado das lágrimas de um aluno a quem dei colo quando confessou estar apaixonado por uma colega de classe. Hoje, eles estão pra casar. Valeu a pena!
“Volta às aulas”... Ainda tenho a esperança de que um dia isto nos soe, verdadeiramente e para sempre, como um excelente convite!  Não somente a sermos bons educadores, mas também a sermos integralmente humanos.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

MULHERES DA PARAHYBA: ESTUPRO CAMUFLADO E AO VIVO

MULHERES DA PARAHYBA: ESTUPRO CAMUFLADO E AO VIVO: Esse é mais um caso que nos chega camuflado, e tenta passar mais rápido que nosso poder de raciocinar e mobilizar. E pior, mediante a forma...